Teatro das Figuras

JÚLIO RESENDE - CARTA A AMÁLIA

Quinta-feira | 21h30

01 de outubro de 2020

Quinta-feira | 21h30

DIA MUNDIAL DA MÚSICA
 
Depois do sucesso do disco “Amália por Júlio Resende”, o pianista volta a homenagear a fadista, desta vez numa Carta Aberta em forma de concerto, em ano do centenário de Amália Rodrigues. E tendo em conta que se trata de uma missiva dirigida pelo próprio Júlio Resende, nada melhor do que ficar com algumas dessas palavras do pianista para Amália:
 
"Querida Amália,
Espero e desejo que estejas bem. É certo que vives ainda. Porquê, perguntas? Ora essa, é simples a resposta. Porque ainda ninguém te esqueceu, querida Amália. Já viste quantas vezes gostamos de dizer o teu nome ou escutar a tua voz, quer seja nas ruas do Chiado a vender discos como se vende o peixe que com grande esforço se foi apanhar ao mar, quer seja em casa, fechados, e a sonhar cantar assim? Ai meu Deus, algumas mulheres se pudessem cantar assim matavam. Ai meu Deus, e os homens, esses, ainda lutam para mostrar que o Fado não é só feminino como tu eras.
 
Mas Amália, eu não quero ser ‘amaliano’. Perdoa-me!
 
Acho que o melhor modo de te respeitar é perturbar a paz pública. Porque tu nunca quiseste seguir ordens musicais, nem manter tudo na mesma. E é assim para mim também, minha querida. Por isso Amália, eu estou aqui para assaltar as tuas músicas, pegar nelas como em pedras na praia e atirá-las ao mar, e espantar-me, espantar-me muito ao contar o número de ricochetes que a pedra faz até se afundar lá ao fundooo, finalmente. E há lá coisa mais bonita? Perguntem a quem já atirou pedras ao mar. Tenho sido um perturbador da ordem e, acredita, muito inspirado por ti, pela tua capacidade em dizer “Não, eu não quero fazer o mesmo que já se fez ou se faz. Eu quero bordar a minha música e a minha vida ao modo que sou.” E eu sou isso, um improvisador, Amália. Sou diferente todos os dias, quer componha uma canção, quer faça um solo ao piano. Nunca nada está terminado para mim e, mais importante que a construção do meu castelo de areia, é a diversão em cê-lo diluir-se no final, mesmo que seja pela força do mar ou das minhas mãos, nada melhor que ver a torre e o pátio desabar, e ficar a pensar, perante o amontoado de areia, vamos lá fazer um castelo diferente desta vez. Assim te digo: Muito Obrigado Amália, por me inspirares a fazer castelos de areia e a manter-me criança. Que bom! Porque aqui as crianças ainda sabem o teu nome. Um século depois. Aqui as crianças ainda sabem o teu nome. Aqui, na tua terra, as crianças, ainda sabem o teu nome! Ninguém te esqueceu, Amália! Espero que continues bem.
 
Um beijo deste teu amigo, que nunca conheceste,
Júlio Resende"
  
Duração: a anunciar
Classificação etária: a anunciar
Preços: a anunciar
 
Produção: Fado in a Box