O autarca foi o convidado do programa radiofónico «Impressões», que resulta de uma parceria entre o jornal «barlavento» e a Rádio Universitária do Algarve RUA FM. Augusto Miranda fez um balanço dos três anos da infra-estrutura, completados no passado dia 1 de Julho. Neste período, o orçamento da infra-estrutura dependeu «quase exclusivamente da autarquia e das receitas de bilheteira». Mas já se estavam a criar sinergias, com empresas locais e nacionais, que motivaram apoios extraordinários.
Impedido de receber dinheiro directamente, o TMF pode, em alternativa, receber apoios, desde que sejam dados directamente à Câmara, já que «a autarquia pode usufruir da Lei do Mecenato». «Mas isto levanta questões técnicas», assegurou Augusto Miranda.
«O dinheiro entraria na Câmara como receita de capital e as transferências que nós fazemos da Câmara para o teatro é no Orçamento Corrente. Para passarmos uma receita de capital para o orçamento obriga-nos a ir a Assembleia Municipal», explicou. Ainda no campo financeiro e tendo em vista manter a qualidade na programação anual, Augusto Miranda defende que «um teatro com a dimensão do de Faro devia receber apoio directo do Estado», à semelhança do que acontece com algumas estruturas culturais nacionais. Estas questões acabam por passar ao lado do público, que começa cada vez mais a habituar-se a ir aos eventos que têm lugar nas diferentes infra-estruturas geridas pela empresa TMF: o Teatro das Figuras, o Teatro Lethes e o Solar do Capitão-Mor. Recentemente, o Teatro das Figuras, a maior infra-estrutura do género na região, ultrapassou a fasquia dos 100 mil espectadores.
A evolução da adesão de público às iniciativas ali realizadas estão bem expressas nos números. Só em 2007, este espaço cultural contou com «cerca de 50 mil» espectadores, em diferentes espectáculos.
Talvez por isso, «há cada vez mais produtoras a oferecer-se ao teatro». «Tivemos, em 2007 e já em 2008, muitas realizações que não tiveram custos para o teatro sem ser os de funcionamento, porque o artista, entre aspas, veio à bilheteira», disse. Algo que só acontece porque já começa a existir a percepção de que a infra-estrutura «tem um público fiel».
Augusto Miranda revelou ainda que o segmento que mais tem crescido é o dos jovens. A política de preços únicos seguida pelo TMF, em que menores de 30 anos pagam 5 euros, parece estar a resultar. Ao mesmo tempo, nota-se que há pessoas que já fazem da ida ao teatro um hábito.
Recentemente, o teatro lançou um serviço que vai no sentido de facilitar o acesso aos espectáculos que ali se realizam e expandir a sua zona de influência. Ainda é cedo para avaliar o sucesso da bilheteira online, mas, para Augusto Miranda, pode ser uma «arma» num mundo cada vez mais ligado às novas tecnologias. «O Algarve é um destino turístico. Há muita gente que tem casa no Algarve» e que pode agora planear com antecedência o programa cultural para as suas férias, sem sair de casa, ilustrou.
16 de Julho de 2008 | 09:06 Hugo Rodrigues
In Jornal Barlavento Online
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